Melhorando o ouvido para o listening (ou a Teoria do Quebra-Cabeça Parte II)

Você já conhece a minha Teoria do Quebra-Cabeça? Caso não, recomendo que você leia meu artigo anterior onde crio uma relação entre montar um quebra-cabeça e compreender uma leitura mais desafiadora.

Mas, de forma bem resumida, a analogia com o quebra-cabeça é usada para ilustrar que, ao enfrentarmos um texto complexo, podemos começar identificando as “peças-chave”, ou seja, as palavras essenciais que carregam o significado central, como substantivos, verbos, adjetivos e advérbios. Ao isolar essas palavras-chave, o contexto geral do texto se torna mais compreensível, permitindo assim uma melhor compreensão da mensagem principal, mesmo que algumas palavras sejam desconhecidas. Assim, vemos que não é necessário entender todas as palavras para captar a mensagem, assim como não é preciso ter todas as peças de um quebra-cabeça para visualizar a imagem final.

Agora, será que podemos usar a mesma estratégia na hora em que estamos ouvindo alguém falar, seja pessoalmente, na TV ou mesmo em um podcast? Te adianto que a resposta é sim. Assim como no caso da leitura, a ideia aqui será identificar e focar nas “peças-chave” do que se está ouvindo, buscando captar o significado geral, mesmo que você se depare com palavras desconhecidas.

Imaginemos que você está ouvindo um podcast em inglês sobre mudanças climáticas. No início, o locutor menciona que “climate change is exacerbating extreme weather events”. Pode ser que algumas palavras sejam desconhecidas, como exacerbating, e é aqui que você pode aplicar a estratégia do quebra-cabeça. Aqio. então, a ideia é identificar as palavras-chave que são fundamentais para a mensagem, como climate change, exacerbating, extreme weather events. Assim, mesmo que você não saiba o significado exato de exacerbating, a presença de palavras-chave como climate change e extreme weather events sugere que o assunto está relacionado a como as mudanças climáticas estão intensificando eventos climáticos extremos.

Ainda usando este podcast como exemplo, ao longo dele você pode continuar aplicando essa abordagem. Se o locutor utilizar palavras como “rising global temperatures” e “melting ice caps“, você deve tentar identificar as seguintes palavras-chave: rising, global temperatures, melting e ice caps. Mesmo que você não conheça todas elas, é possível que você já consiga captar a ideia central de que as temperaturas globais estão aumentando e que as calotas de gelo estão derretendo devido às mudanças climáticas.

Fácil, né? Não exatamente. Apesar de ser uma boa estratégia tanto para a compreensão escrita (reading) quanto a auditiva (listening), nesta segunda temos um fator que pode dificultar um pouco a sua aplicação, especialmente em situações face to face.

Ao utilizarmos a ideia do quebra-cabeça em um texto, podemos trabalhar essas peças-chave visualmente, seja grifando-as, anotando-as em um caderno ou documento no computador, enfim… as opções são diversas, mas o fato é que ao fazermos uma leitura podemos ter este apoio, e além dele, também podemos dispor de mais tempo para isso. Afinal, eu posso gastar 5 segundos ou 2 minutos para ler e entender uma frase ou parágrafo. Agora, e quando estamos conversando alguém? Você se imagina conversando com alguém em inglês em uma viagem com um bloquinho na mão, anotando as palavras-chave, pedindo 2 minutinhos de licença pra ligar os pontos e só então responder? Espero que não.

A compreensão auditiva (listening) é, geralmente, a habilidade mais difícil para o aprendiz de um idioma, seja ele qual for. E parte dessa dificuldade vem do fato de que em uma conversa falada você não tem muito tempo de digerir a mensagem, porque enquanto seu cérebro está processando uma informação você já tem que lidar com uma nova massa sonora cheia de ideias diferentes aparecendo na conversa. Por isso é essencial que você se prepare antecipadamente. E para isso existem muitas dicas e estratégias que se tornarão um novo artigo inteiro, e que, por isso, não conseguiremos cobrir aqui.

Sendo assim, a Teoria do Quebra-Cabeça aplicada na compreensão oral envolve sintonizar-se com as palavras-chave e com as informações contextuais para montar a sua compreensão geral da mensagem, mesmo que algumas partes do discurso sejam mais desafiadoras ou não compreensíveis. Da mesma forma que você não precisa decifrar todas as palavras de um texto escrito para entendê-lo, você também não precisa entender 100% das palavras que está ouvindo para compreender discursos e conversas em um novo idioma, focando inicialmente nas partes essenciais para captar a mensagem geral.

Gostou da dica? Já tentou aplicar algo parecido? Me conta no bruno@companhiadeidiomas.com.br

E fique ligado ou ligada que em breve falaremos sobre como se preparar antecipadamente para uma conversa sem medo de possivelmente não entender a pessoa do outro lado dela.

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