Conectando os sons para um melhor listening

 

Você sabe o que é uma aglutinação? O nome pode assustar um pouco, mas a definição é relativamente simples. De forma bem objetiva, a aglutinação é o modo pelo qual elementos distintos se unem ou se integram, formando um todo. Ou seja, uma fusão. Em português temos alguns bons exemplos de aglutinações, como:

– plano + alto = planalto

– água + ardente = aguardente

– em + boa + hora = embora

 

Nos exemplos acima, no entanto, as palavras são aglutinadas para formarem uma nova palavra, com significado parecido. Aqui, neste artigo, vamos por um outro caminho, pois nossa intenção não é a de formar novas palavras, e sim melhorar o nosso listening comprehension (compreensão auditiva), assim como nosso speaking (fala). E o que uma coisa tem a ver com a outra eu te conto já.

 

Antes, vamos a um exemplo simples. Leia a seguinte frase em voz alta e devagar: Eu tenho um carro.

 

Leu? Agora, tente escrever o som do que você falou. Você provavelmente não falou palavra por palavra, com todos os sons de cada uma delas pronunciados de forma clara e cristalina. Certamente, e independente da velocidade em que você leu a frase, você juntou a palavra tenho com a palavra um, o que resultou em tenhum.

 

Eu tenho um carro. = Eu tenhum carro

 

Aqui, então, temos um exemplo do que em inglês chamamos de linking sounds (sons que se conectam). Quando falamos um idioma fluentemente, é natural juntarmos os sons das palavras para que a fala fique mais fluida, mais natural, menos truncada. E esses sons conectados acontecem naturalmente, não pensamos muito antes de juntá-los ao falar, apenas juntamos pois já estamos acostumados a fazer isso. E, a meu ver, essa é a grande dificuldade com a compreensão auditiva de um novo idioma.

 

Vamos ver o mesmo exemplo acima, só que agora em inglês. Leia a seguinte frase em voz alta e devagar: I have a car.

Se você já está mais familiarizado com o idioma, você provavelmente juntou os sons do verbo have com o artigo a, que virou um hav’a.

 

I have a car. = I hav’a car.

 

Para melhorar a sua compreensão auditiva, é essencial que você comece a se familiarizar com os linking sounds. E para se acostumar a ouvir palavras com sons conectados, nada melhor do que falar com os sons conectados. Voltando ao exemplo anterior, se você sempre fala I-have-a-car  pronunciando cada palavra separadamente, ao ouvir um falante nativo dizendo I hav’a car o seu cérebro não só vai estranhar a frase, como pode sequer identificá-la, afinal, ele está acostumado aos sons separados das palavras have + a. E é importante reforçar que isso não está diretamente ligado à velocidade da fala. É perfeitamente possível falar devagar, de forma articulada e, ainda assim, juntar os sons.

 

Se nos seus estudos você se forçar a juntar o som das palavras o máximo possível, a tendência é que seu ouvido fique cada vez mais acostumado a escutar esses sons conectados e, ainda assim, identificar as palavras sendo faladas ali. Além de, claro, sua fala ficar cada vez mais natural e fluida. Existem diversas maneiras de se praticar falar os sons conectados, mas quem acompanha meus artigos já deve imaginar qual a minha maneira favorita de fazer essa prática: isso mesmo, com a música.

 

Em um de meus artigos anteriores falei sobre a importância de cantar em inglês para desenvolver a fala. E muito disso está ligado à prática dos sons conectados. A música, em geral, tem um ritmo definido, um beat (batida) que a conduz. E a letra da música deve caber dentro dessa batida. E, para que isso aconteça, somos obrigados a juntar algumas palavras para não deixar que o ritmo da melodia seja quebrado. Sendo assim, um jeito muito legal de praticar isso é cantar batendo palma no ritmo da música.

 

Easier said than done (mais fácil falar do que fazer), eu sei, por isso vou deixar abaixo 2 trechos de músicas que podem ser usados para você iniciar essa prática. Nos trechos abaixo, você vai a letra original e, logo ao lado, as aglutinações pra você praticar. E, claro, não preciso nem dizer que é essencial que você pratique junto com a música, escutando-a com atenção e tentando ao máximo imitar o que você está ouvindo.

 

TRECHO 1

Música: Hey Jude!

Banda: The Beatles

Nível: Fácil

 

Hey Jude, don’t make it bad = Hey Jude, don’t mak’it bad

Take a sad song, and make it better = Tak’a sad song, and mak’it better

Remember, to let her into your heart = Remember, to let’er into your heart

Then you can start, to make it better = Then you can start, to mak’it better

 

TRECHO 2

Música: In the end

Banda: Linkin Park

Nível: Médio-difícil

 

It starts with

One thing, I don’t know why

It doesn’t even matter how hard you try = I’doesneven matter how har’dya try

Keep that in mind, I designed this rhyme = Keep that in mind, I design’this rhyme

 

Estes são apenas 2 exemplos, mas você pode praticar com qualquer música que você goste em inglês. De Metallica a Celine Dion, de Beyoncé a Michael Jackson, toda música vai ter bons exemplos de linking sounds. E sabe qual é a melhor notícia? Você não precisa procurar os linking sounds.

É isso mesmo! Você pode praticar os linking sounds sem nem saber onde eles estão ou quais eles são. Você só precisa ter a letra na mão e cantar junto com a música, tentando imitar da melhor forma possível o que você está ouvindo. O resto, você deixa que seu cérebro se encarrega de fazer naturalmente.

 

Gostou da dica? Já tinha pensado nisso ou é algo totalmente novo? Me conta no bruno@companhiadeidiomas.com.br

Até a próxima!

 

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