Artigos de Gestão

Artigos de Gestão

15
AGO
16

Pensando a Carreira



 



Tudo o que é realizado e aprendido ao longo da vida vai construindo a trilha do que se deseja na carreira: conhecimentos específicos da área de atuação, graduações, MBA, especializações, as atividades de trabalho, cursos extracurriculares, as promoções, os projetos conduzidos, os desafios superados.


A origem da palavra carreira vem do latim carraria, que significa “caminho para carros”. Ela passou por diversas transformações ao longo dos anos até chegar no conceito que entendemos nos dias de hoje. Carreira não revela um histórico profissional, mas um caminho em direção a objetivos pessoais e profissionais, que tragam satisfação e realização. Só que a carreira não é responsabilidade da empresa na qual trabalha, é sim responsabilidade do profissional.


Além das competências técnicas de cada área de atuação, não podemos nos esquecer das competências comportamentais. Para ter as competências mais esperadas pelas empresas, o autoconhecimento se torna fundamental. Entender nossos pontos fortes e sabotadores é um grande aliado nesta caminhada. Nossa experiência e reflexão sobre as perguntas a seguir nos ajuda a construir nossa autoimagem e, consequentemente, fazer ajustes de rota e tomar decisões mais acertadas:

Quais são as minhas habilidades?
Quais são meus pontos fortes?
Quais são meus pontos a melhorar?
O que realmente me motiva?
Quais são minhas principais necessidades?
Quais são meus maiores estímulos?
Quais meus objetivos na vida?
Quais são meus valores? Quais os principais critérios pelos quais eu julgo o que faço?
Quão orgulhoso ou envergonhado estou do meu trabalho e carreira?

O tempo que será necessário para construir essa autoimagem varia de acordo com alguns fatores:

1. Quantidade e qualidade de experiências que tivemos versus tempo em que elas ocorreram. Aqui temos de avaliar a cultura das empresas nas quais trabalhamos, gestores que tivemos, funções que desempenhamos.
2. Feedback sobre nosso desempenho e progresso profissional, dicas e toques que recebemos desde o início da nossa carreira.
3. Capacidade cognitiva para absorver essas experiências e feedback recebidos. Em outras palavras, o que fizemos de tudo isso, de como transformamos nossa história em vantagem competitiva.
4. Motivação e busca por novos aprendizados e autoconhecimento.

Responda a este questionário, reflita sobre a sua trajetória, sobre o que você tem a seu favor e o que será necessário mudar para alcançar o que almeja. Sucesso na sua jornada!
 


Escrito por Lígia Crispino. Publicado em 15 de junho de 2016 para Vagas.com. Editado por Lígia Crispino para o site da Companhia de Idiomas - Artigos de Gestão.


 
Lígia Velozo Crispino, fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução pela Unibero. Curso de Business English em Boston pela ELC. Coautora do Guia Corporativo Política de Treinamento para RHs e autora do livro de poemas Fora da Linha. Colunista dos portais RH.com, Revista da Cultura e Exame.com. Organizadora do Sarau Conversar na Livraria Cultura.

11
AGO
16

É mais fácil ser pedra do que vitrine



 



Quero abordar um comportamento que tenho percebido na Internet. Muitas pessoas se escondem atrás de uma tela de celular ou computador, cheias de ideias, só que sem a coragem de ser vitrine. Elas querem apenas atacar, porque é fácil atacar à distância. Além disso, ser vitrine é muita exposição, é saber que você mostrará coisas boas, ou seja, seu conhecimento e sua experiência, mas você também mostrará suas fraquezas, porque perfeição não existe.

Nós somos seres em formação, estamos na condição de obra em transformação. Por isso, com medo de construir e sofrer críticas, as pessoas se munem de pedras para desconstruir, achando que esse é o caminho mais fácil para mostrar seu valor. Com arrogância e prepotência, apontam o dedo e vão em busca de qualquer detalhe, por menor que seja, para dizer : ‘Veja, você está errado!’

Minha sugestão é que você avalie se, na sua vida, você é o protagonista criador que quer compartilhar ideais, reflexões e conhecimento, Em outras palavras, se você é vitrine, ou se você é o fiscal que garimpa falhas, erros, defeitos, o atirador de pedras. Entendo que há momentos em que temos de contribuir e sinalizar o que pode e deve ser melhorado. No entanto, a intensidade, frequência e a forma como atiramos as pedras nas vitrines faz toda a diferença. Há que se das relações com as pessoas. Não temos como prever o futuro. Pode ser que aquele que você criticou com veemência seja seu futuro cliente, gerente, fornecedor... 


Escrito por Lígia Crispino. Publicado em 01 de abril de 2016 para Vagas.com. Editado por Lígia Crispino para o site da Companhia de Idiomas - Artigos de Gestão.


 
Lígia Velozo Crispino, fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução pela Unibero. Curso de Business English em Boston pela ELC. Coautora do Guia Corporativo Política de Treinamento para RHs e autora do livro de poemas Fora da Linha. Colunista dos portais RH.com, Revista da Cultura e Exame.com. Organizadora do Sarau Conversar na Livraria Cultura.

03
AGO
16

Vamos Dormir



 

                                     

Você já deve ter ouvido falar da teoria das "10 mil horas" do Malcolm Gladwell.  Em seu livro Outliers (Fora de Série, em português), ele nos ajudou a entender que embora existam pessoas naturalmente talentosas para esportes, música, idioma ou qualquer outra habilidade, a regra das “10 mil horas” de prática pode tornar qualquer um excelente no que faz.

 
A nossa Hortência do basquete sempre falou: “rala que rola!”.  Ela conta que todas as jogadoras iam embora porque o treino havia acabado. Mas ela e a Magic Paula ficavam lá na quadra, treinando cestas.  É praticamente a mesma teoria.   Há também um estudo, de K. Anders Ericsson, relatado por Gladwell no mesmo livro, sobre certos violonistas super disciplinados, pesquisados por Ericsson. Os violinistas que obtinham melhores resultados eram também os que praticavam mais violino durante o dia.
 
Talento?
Também, mas não só. No aprendizado de idiomas não é diferente, tem gente que tem mais talento, outros menos. Estou nessa área há mais de 30 anos e já conheci muitos tipos de alunos.  Mas todos, todos que estudam com regularidade – mesmo sozinhos e sem escola ou professor– conseguem chegar a um nível avançado da língua, se tiverem boas fontes e disciplina.

Você pode a esta altura perceber que já escrevi sobre esse tema algumas vezes, nesta coluna no portal da Catho e em outros blogs. E também deve estar se perguntando: O QUE TUDO ISSO TEM A VER COM O TÍTULO DESTE ARTIGO????

O que o Gladwell não divulgou sobre a pesquisa do Ericsson é que o segundo fator que mais contribuiu com a excelência dos violinistas, e com a excelência de qualquer profissional, foi…. o sono. Sim, o grupo de violinistas que dormia oito horas por dia teve um desempenho muito melhor durante todo o período de observação.

Quando médicos e curiosos (como eu) falam sobre a importância de dormir oito horas todas as noites, alguns sempre respondem: “Ah, mas eu me sinto super bem com seis horas!” As novas perguntas da Neurociência são :  “Será que você já se acostumou a se sentir cansado, e está achando que este é o seu padrão de bem-estar? Será que seu corpo e mente estão dando sinais de que estão precisando de algo, mas você, tão ocupado, nem ouve? Está tudo bem, mesmo?”.

A resposta mais comum é que está tudo bem, é só uma insônia em um dia, uma dor de cabeça no outro, dor nas costas no outro, um descontrole emocional no outro, probleminhas no estômago…. E tem remédio para tudo isso hoje, tão fácil resolver passando na farmácia ou pedindo de um "amigo". Sabemos que remédio é quase sempre paliativo para as consequências, e quase nunca resolve as verdadeiras causas, por isso o problema se repete indefinidamente, e se acentua com o tempo. Sim, nós sabemos de tudo isso.

Em uma pesquisa publicada na revista Harvard Business Review, Charles Czeisler, professor de Medicina do Sono da Faculdade de Medicina de Harvard, explicou que a privação do sono provoca em nós uma debilidade muito semelhante ao álcool na corrente sanguínea, mesmo que a reação seja diferente. Simplesmente ficamos alterados em nossas funções emocionais e cognitivas e não percebemos. Ele diz que uma sociedade que elogia e exalta as pessoas por trabalharem ou terem compromissos demais se privando do sono é uma sociedade com problemas sérios de valores. Bom, sobre os valores nós já sabíamos.

Estudos da Universidade de Luebeck, na Alemanha, concluíram que o sono melhora não só a saúde do corpo, mas também a nossa capacidade de resolver problemas e tomar decisões durante o dia. As conexões naturais realizadas durante o sono nos ajudam a, ao acordarmos, encontrar soluções mais facilmente para os problemas, a sermos mais criativos e produtivos. Será por isso que o Google tem em sua sede os sleep pods ou “compartimentos do sono”?

A cultura de valorização daqueles que dão conta de tudo e dormem quatro horas por noite, ainda existe, infelizmente. Contudo, empresários como Jeff Bezos (Amazon), Mark Andreessen (Netscape) e tantos outros já começam a mudar o paradigma de que se tem de dormir pouco para se chegar a algum lugar. Eles testemunham o quanto a reorganização  do tempo e da vida, respeitando estas oito horas de sono, são fundamentais para realizar tudo o que importa depois.

 
Mas se Gladwell diz que temos de praticar e praticar para nos tornarmos ótimos em algo, e os médicos dizem que temos de dormir e dormir – e minha conta bancária diz que tenho de trabalhar e trabalhar (isso sem citar outras vozes como a dos filhos, amigos, família, marido etc.), como é que esse artigo termina?

Acho que é hora de voltar em uma lição básica do curso de gestão do tempo. Tempo é escolha, e temos de colocar na nossa semana em primeiro lugar tudo o que mais importa. Se tem coisas demais, escolha tirar alguma, corajosamente. Dormir, fazer atividade física, estudar alguma coisa, ficar com a família ou com quem se ama – isso tem de estar na agenda e talvez deva ser considerado algo como “sagrado”. Não dá tempo para ir aos três eventos para os quais foi convidado e que são suuuuper importantes, sem comprometer o que é “sagrado”? Vá a um, ou não vá naquele mês. Não deu tempo de atualizar o Facebook, contando tuuuudo o que está fazendo? Não atualize nesta semana. Ninguém vai se importar, acredite.

Observe que geralmente exageramos naquilo que mais gostamos, e isso não quer dizer que vamos parar de vez, tirar o prazer de fazer (isso nunca!), mas pode estar na hora de reduzir um pouquinho aquilo que exageramos. Pode ser que exageremos porque adoramos cozinhar, cuidar da casa, ir a eventos, ficar na internet, ir à academia, assistir a séries – nós sempre exageramos no que mais gostamos. Incrível como tirar um pouco do exagero faz a mágica e resgata coisas relevantes que foram negligenciadas.

Diversificar a agenda, abrindo espaço para outras descobertas  prazerosas, saudáveis, e também para novas práticas diárias das habilidades que queremos conquistar é preciso. E um pouco de silêncio diariamente, longe dos ruídos dos aparelhinhos, das inúmeras mensagens por tantos canais e da tagarelice mental. Silêncio que pode vir bem acompanhado de uma boa noite de sono. A vida muda, mas só quando mudamos.


Escrito por Rosangela Souza. Publicado em 03 de agosto de 2016 na Revista Catho - Carreira & Sucesso
. Editado por Rosangela Souza para o site da Companhia de Idiomas - Artigos de Gestão.
 

Colunista: Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA. Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso, RH.com e Exame.com.   Professora de Técnicas de Comunicação, Gestão de Pessoas e Estratégia na pós graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.