Artigos de Gestão

Artigos de Gestão

14
MAR
16

Sobre o tempo em 2016



 

No primeiro artigo de 2016, refletimos juntos nesta coluna da Catho sobre Gestão do Tempo. Falamos de um termo usado pelo Steven Covey: as pedras grandes.  O autor sempre faz esta analogia quando se refere ao que mais importa em nossa vida.  Ele diz que podemos pensar na vida como se fosse um vaso que preenchemos com pedras grandes (coisas importantes) e pedras bem pequenas (coisas irrelevantes).  Se começarmos a encher nosso vaso, ou nossos dias (e nossa vida, por consequência) primeiro com as pedrinhas pequenas (as banalidades), não conseguimos depois colocar as pedras grandes.  Do contrário, se começarmos com as pedras grandes (o que mais importa), depois até dá para jogar no vaso várias pedrinhas pequenas e elas se ajeitam, fazendo caber tudo. 

Geralmente nós sabemos o que mais importa: família, saúde, ter como viver com uma certa tranquilidade financeira, evolução espiritual para alguns etc.   Mas pode ser que você escolha aspectos bem diferentes da vida para suas pedras grandes, ou o que mais importa.   Um jeito de definir quais são elas, é pensar sobre o que vai importar quando você tiver, digamos, 70 anos.  Mas sem esquecer do que importa hoje também, já que a vida é hoje.    Se aos 20 você começou a cuidar diariamente de sua saúde, de suas relações e de seu nível cognitivo/cultural, há maiores chances de você se tornar um velho saudável, interessante, independente e feliz.  Você se tornará aquele tipo que todo mundo quer por perto. Aquele avô procurado pelo neto por sua sabedoria – e não visitado por ele no Natal, por obrigação familiar.  Quase tudo na vida é plantação e colheita, ação e reação.  E não é aos 69 que se começa, é agora.   A Karina, que trabalha na área de Consultoria e Tradução da Companhia de Idiomas, sempre fala:  “daqui a um mês você vai se arrepender por não ter começado hoje”.  Faz sentido! 

Às vezes, ouvindo amigos sempre dando as mesmas justificativas por não fazer o que importa, e vendo as consequências claras na vida de cada um, fico pensando...  Será que não estamos preenchendo nossas vidas com inúmeras pedrinhas, enchendo nosso vaso e saindo por aí a dizer que não temos tempo, que somos vítimas?  Vítimas de decisões que nós tomamos, de morar longe, de ter uma casa grande, de ter três filhos, de não ter estudado, de não estudar hoje. Dizer que não tem tempo tornou‐se um vício também. 

Vejo pessoas de 25 com sérios problemas de estômago porque não se importam com alimentação saudável.  Meu avô também não se importava, mas ele não comia agrotóxico junto com os alimentos, componentes químicos em qualquer comidinha, e não respirava fumaça todo dia.  Outros de 35 já estão com problemas de coluna que só eram comuns aos 60 – mas sentados o dia inteiro, sem atividade física, e sem se alongar todo dia, o corpo não aguenta mesmo.   E os de 45, já se entupindo de remédios, que resolvem tudo na hora, mas trazem novos problemas, que serão resolvidos com mais remédios. 

Mas o que tudo isso tem a ver com tempo?    Se não investimos tempo no que mais importa,  para termos mais tempo para as banalidades, teremos de destinar muito tempo para amenizar as doenças (físicas, mentais e de relacionamentos) depois.  A boa notícia é que um bom hábito traz benefícios em várias esferas da vida.  Um mau também.  Quem não conhece alguém que  é limitado hoje porque não se cuidou ontem? Que não tem dinheiro para uma viagem, porque gasta muito com remédio todo mês? Todos nós. 

Um bom exercício, que aplico nas palestras sobre Gestão de Tempo, é que você liste suas pedras grandes, aquilo que realmente mais importa e que fará você feliz sempre. Uma horinha para a saúde, várias para o trabalho ou estudo, um pouco de tempo para as relações off‐line.   

Quase nada  precisa ser eliminado, só o que você quiser.  Mas provavelmente tudo precisa ser ajustado, cada coisa em uma proporção que esteja mais alinhada aos seus sonhos.   Coloque primeiro as pedras grandes, garantindo para elas o tempo necessário em sua semana, deixando‐as em um lugar inegociável, sagrado e do tipo que não se cancela, não se cria desculpa.   Porque somos mestres em criar desculpas para não fazer o que não gostamos muito de fazer.  Disciplina é fazer o que não se gosta, mas é necessário. E como é você quem define o que é necessário, não é muito sacrifício, certo?   

É incrível, mas ainda vai sobrar espaço para preencher com pedrinhas pequenas:  alegria e entretenimento, sem os exageros e a banalização de uma vida. E para quem leu este artigo até aqui, agradeço com  um trecho de um poema de Mario Quintana: 

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta‐feira!
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...”

Agora é com você.

Escrito por Rosangela Souza. Publicado em 09 de março de 2016 na Revista Catho. Editado por Rosangela Souza para o site da Companhia de Idiomas - Artigos de Gestão.

 

Colunista: Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso, RH.com e Exame.com.   Professora de Técnicas de Comunicação, Gestão de Pessoas e Estratégia na pós graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.


14
MAR
16

O Sinal e o Ruído



 


LI um livro com este título, do economista Nate Silver, recentemente.   Muitas ideias interessantes, e, entre elas, uma sobre a qual escrevo hoje,  nesta coluna mensal para o portal da RH.com.   Pelo menos para mim, a  reflexão sobre o tema trouxe aprendizados para a vida corporativa e pessoalpor isso quero compartilhar com vocês.  

 

“Se na sua empresa atualmente estiver mais barato produzir conteúdo ou realizar processos, é porque vocês estão usando bem as informações e transformando-as em conhecimento.  Se estiver mais caro, provavelmente vocês estão vendo sinais onde há só ruídos e estão desperdiçando tempo com pistas falsas.”  

Vamos pensar juntos?

A tecnologia contribui todos os dias para diminuir custos de produção de conteúdo e custo na execução de processos nas empresas.  Contudo, em algumas empresas estes custos aumentam a cada dia, e as operações nem sempre se tornam mais simples.


O autor nos convida a refletir  sobre o quanto conseguimos identificar sinais, percorrer o caminho que eles apontam, encontrar algo ali, aprender, transformar o que se descobriu em conhecimento, e compartilhar dentro da empresa. Porque só assim não corremos o risco de negligenciar aquele sinal, quando ele aparecer de novo.  Se considerarmos o sinal como um simples ruído e o ignorarmos, ele aparecerá mais intenso  no futuro.  E podemos não ter força para vencê-lo.

Ou será que consideramos ruídos como sinais e estamos perdendo tempo com eles? Eu acho que faço isso quase todo dia.  Podemos enxergar “tendências” em um fato único, isolado.  Criamos uma nova regra e complicamos o processo, quando a situação deveria ser considerada apenas uma exceção.   Podemos ficar frustrados por concluir que a insatisfação é generalizada, quando é só uma opinião isolada.  Achar que os clientes estão adorando nosso serviço, quando foi só um elogio, de um cliente.   É preciso olhar atento,  análise do fato por algum tempo, sensibilidade e alguns números para dissociar ruído e sinal.  

Na Companhia de Idiomas,  houve uma fase em que  achávamos que o fato de haver tantas franquias de idiomas no Brasil era um sinal de que os alunos queriam cursos formatados.  Hoje sabemos que era apenas um fator do mercado: investidores resolveram formatar cursos para multiplicar suas franquias.  Não era necessariamente sinal do que o cliente buscava.  Com o tempo e os números, concluímos que o aluno, o cliente, a sociedade quase sempre vão preferir um serviço personalizado quando podem pagar por ele. Parece ser um sinal de que as pessoas ainda querem atenção, ainda querem se sentir importantes, e querem opinar sobre o produto ou serviço pelo qual pagam.

E na vida pessoal?  Podemos achar que quando algo não dá certo na primeira, segunda, terceira tentativa, é sinal de que “não é para ser “.  E este aparente insucesso pode ser só uma sequência de ruídos, ou um sinal de que você apenas não planejou direito, mas se planejar vai dar tudo certo, no tempo certo.
Eu costumo achar que quando algo é difícil, é um sinal para eu parar.  Mas já aprendi que pode ser apenas meu medo e minha confortável acomodação se juntando, e gritando para eu desistir (afinal, há sinais suficientes de que aquela luta é em vão). Meu medo do novo me engana com pensamentos bastante elaborados e racionais. Mas quando tenho coragem e o ignoro, aí lembro que medo é ruído e não sinal.

Alvin Tofller, no livro Choque do Futuro, escreveu que  “nosso mecanismo de defesa irá sempre simplificar o mundo de maneira que confirme nossa tendenciosidade.”  
Podemos nos enganar no primeiro ruído, acreditando ser um sinal, só porque é mais confortável para nossa mente que assim o seja.
Mas como saber?  Talvez usando o tempo que ainda temos na Terra para acumular aprendizados e não nos dispersando com os ruídos.  Tentando entender que tem coisa que flui tão natural e lindamente, que parece “coisa de Deus”.  Mas que tem coisa “de Deus” que demora mais, que vem por caminhos tortuosos e obscuros, cheios de ruídos para que a gente se engane e desista, dizendo que enxergou sinais.
 

Desistir também pode ser um ato de coragem.  Interpretando todos os sinais de que é hora de parar, de que a felicidade (que só depende da gente mesmo) está em outro lugar, podemos ter a certeza de que tentamos por vários caminhos mas estamos no fundo aliviados por parar de seguir aquela trilha.   O coração sabe.  E a razão ajuda bastante, quando não é escrava do medo de falhar.

Que nossas carreiras e vidas tenham ruídos e sinais. Que tenhamos sabedoria para interpretá-los, descartando os ruídos e aprendendo com os sinais.


Escrito por Rosangela Souza. Publicado em 08 de março de 2016 no Portal RH.com. Editado por Rosangela Souza para o site da Companhia de Idiomas - Artigos de Gestão.

Colunista: Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso, RH.com e Exame.com.   Professora de Técnicas de Comunicação, Gestão de Pessoas e Estratégia na pós graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.