Artigos de Gestão

Artigos de Gestão

30
MAR
15

Liderando no futuro



 


Mudou tudo. De novo. Começamos comprando aparelhos e apps, e nos juntamos em redes. Agora nos comunicamos com muitos ao mesmo tempo, e quase não usamos mais o telefone. Ficou diferente a forma de nos relacionarmos com as pessoas, com os afazeres do dia a dia e com a gente mesmo. 

Nas empresas, sentimos também esta diferença. Nós, gestores, temos agora de fazer uma escolha: 

a) Continuar com os princípios tradicionais, que nortearam as empresas até agora, seguindo as teorias de Weber, McGregor, Drucker e Mintzberg

b) Migrar para princípios alternativos, que parecem mais alinhados com as pessoas e suas transformações

c) Eleger e implementar algumas pequenas mudanças, que convivam com os princípios tradicionais – e torcer por um resultado sensacional – mas sabemos que pode gerar uma grande confusão. 

Motivação, Inovação, Informação, Liderança. Quatro pontos – de centenas - que merecem nossa reflexão: 

Motivação

Como era…
Motivadores extrínsecos: as pessoas corriam atrás de dinheiro, status, carreira, segurança. Um profissional poderia ficar infeliz em uma empresa por 30 anos, se tivesse um alto salário. 

Como está…
Os motivadores intrínsecos estão assumindo maior importância: 

- Tenho orgulho do que faço? 
- Estou me sentindo bem aqui? 
- Tenho explorado meus talentos nesta empresa? 
- Compartilhamos os mesmos valores? 
- Me sinto querido pelos colegas? 
Estas perguntas começam a ser consideradas relevantes. 

Inovação

Como era…
Investimentos altos em pesquisa, para lançamento de novos produtos

Como está…
- As organizações já começam a dar importância para plataformas de crowdsourcing, como Innocentive, ou para o conceito de Colaboração para a Inovação. 
- Não falamos de Inovação do produto ou serviço apenas, mas principalmente na FORMA como vamos gerir a cadeia de valor, os processos, as pessoas. Estará no jeito que trabalhamos. 
- Já foram identificados alguns dos assassinos da inovação: excesso de processos, gente poderosa que não acolhe o novo, expectativas de curto prazo dos acionistas - para mencionar apenas três.

Informação

Como era…
Difícil acesso à informação, big data limitado e desatualizado
Como está…
-Excesso de informação, incapacidade de identificar conteúdo correto e boas fontes
-Paralisia e incompetência para a análise, diante de tanta informação
-Especialistas de um dia – com fácil acesso, todos nos sentimos especialistas, até em doenças raras, só porque lemos qualquer coisa na internet. Não somos. 

Liderança

Como era…
- Funcionários acostumados com o microgerenciamento (monitoramento de detalhes)
- Falta de informação
- Pouco feedback e elogio
- Objetivos obscuros (desde que a função fosse clara)

Como está…
Funcionários querendo: 
- um trabalho recompensador
- um claro senso de direção
- espaço para fazer as coisas do seu próprio jeito
- suporte quando necessário
- reconhecimento e elogio 

Propósito com Lucro começa a ser uma frase mais comum. Não é Lucro com Marketing de Causa. Estou falando de gente que está nas organizações e realmente tem um propósito que vai além do lucro, sem excluí-lo. 

Você pode nem ter percebido algumas dessas mudanças. Mas elas estão acontecendo, na cabeça e coração de pessoas. Pessoas que assumirão cargos de liderança. Se você não for um deles, repense sua forma de enxergar o mundo. Ou se aposente rapidinho!


Fonte: Rosangela Souza para Empresa S/A


 

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso, RH.com e Exame.com.   Professora de Técnicas de Comunicação, Gestão de Pessoas e Estratégia na pós graduação ADM da Fundação Getulio Vargas.
 

27
MAR
15

A diversidade e a paciência



 


Apesar de todos nós termos o mesmo equipamento refinado: o cérebro, nós não o utilizamos da mesma forma. Cada um absorve, enxerga, interpreta o mundo de uma maneira específica. Por isso, é necessário ter consciência dessas diferenças para compreender o que agrada aos nossos amigos, aos pares, aos gestores, aos liderados e à família e também o que os frustra.  
 
Para ajudar neste processo de conscientização, o primeiro recurso é a empatia, pois ela nos permite ver o outro como ele realmente é, com todas as suas qualidades exclusivas, em vez de tentar transformá-lo em alguém diferente. Isso porque nós gastamos muita energia, tentando fazer com que os outros sejam do nosso jeito.
  
O segundo recurso é a paciência. Sem ela, não podemos aprender as lições que a vida tem para nos ensinar e, consequentemente, não amadurecemos. Permanecemos, então, naquele estágio de crianças irritadas que não conseguem adiar o prazer.
  
Quando exercitamos a paciência, não deixamos ser dominados por nossas emoções, temos autonomia para escolher como reagir aos acontecimentos, principalmente os que geram insatisfação. A impaciência é um hábito, sendo assim, a paciência também. Não quero dizer aqui que temos de "engolir sapos" a vida inteira, mas há muitas situações nas quais nos deixamos levar pela negatividade do outro e pelo nosso ego. Quanto mais soubermos desviar dos golpes da vida e tolerar as peculiaridades das outras pessoas, menos estresse e frustração experimentaremos, porque "a nossa biografia se torna a nossa biologia", como disse Caroline Myss.
 
A impaciência está retratada neste trecho do livro "Zorba - o Grego" de Nikos Kazantzakis. 
 
"Lembrei-me de uma manhã em que encontrei um casulo preso à casca de uma árvore, no momento em que a borboleta rompia o invólucro e se preparava para sair. Esperei algum tempo, mas estava com pressa e ele demorava muito. Enervado, debrucei-me e comecei a esquentá-lo com meu sopro. Eu o esquentava, impaciente, e o milagre começou a desfiar, diante de mim, em ritmo mais rápido que o natural, abriu-se o invólucro e a borboleta saiu arrastando-se. Não esquecerei jamais o horror que tive então: suas asas ainda não se haviam formado, e com todo o seu pequeno corpo trêmulo, ela se esforçava para desdobrá-las. Debruçado sobre ela, eu ajudava com meu sopro. Em vão. Um paciente amadurecimento era necessário, e o crescimento das asas se devia fazer lentamente ao sol; agora era muito tarde. Meu sopro havia obrigado a borboleta a se mostrar, toda enrugada, antes do tempo. Ela se agitou, desesperada, e alguns segundos depois morreu na palma de minha mão".
  
A impaciência mina o que temos de bom. Já a paciência nos permite a autopercepção das qualidades e defeitos, sob todas as formas, e a percepção pelos outros do que existe de melhor em nós. Na verdade, a nossa imagem é um reflexo externo de parte do que existe internamente em nós. Esse reflexo é moldado, em especial, pelos seguintes aspectos:
  
- Tratamento que damos às outras pessoas. 
 
- Conhecimento/ repertório. 
 
- Aparência. 
 
- Comunicação verbal e não-verbal. 
 
Se você não sabe direito como agir para preservar bons relacionamentos, listei abaixo alguns comportamentos um tanto óbvios, mas não tão simples de serem colocados em prática: 
 
- Não levar tudo para o lado pessoal. 
 
- Não fazer suposições. 
 
- Entender que muitas das coisas que não nos agradam nos outros representam traços nossos de que não gostamos. 
 
Temos de identificar o que nos deixa impacientes e tratá-lo como nosso grande mestre, como nossa grande oportunidade de aprendizado. 
 
- Ter paciência, pois é uma atitude receptiva. 
 
- Demonstrar interesse verdadeiro pelas pessoas. 
 
- Identificar afinidades. 
 
- Celebrar a diversidade.
 
Lançado o desafio para 2015!

Por Lígia Crispino para RH.com

Ligia Crispino é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Formada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, possui cursos em Marketing de Serviços pela FGV; Gestão de Pessoas pelo Ibmec; Branding e Inteligência Competitiva, ambos pela ESPM; Business English em Boston. É analista quântica e dá palestras sobre comunicação, ensino, gestão de negócios e pessoas. Ligia escreve mensalmente para o VAGAS Profissões
 

02
MAR
15

O que está faltando nestes novos tempos?



 


Dinheiro? Tempo? Paciência?  Água? Como nossa coluna é sobre carreira e vida corporativa, hoje proponho que façamos uma rápida revisão nos recursos escassos de três Eras:  a Era Industrial, a Era da Informação e, finalmente, a Era da Sociedade em Rede.

 

Estudei o tema em um curso pela University of London: Managing the Company of the Future. Ao analisarmos o que faltava em uma determinada era, entendemos os caminhos que a humanidade trilhou para driblar ou suprir a falta daquilo. Boa reflexão nos dias de hoje!

Era Industrial

Palavras-Chave: Produção, Fábricas, Sistematização.

O que era escasso?  A Mão de obra e o Capital.

Quais empresas obtiveram sucesso? Aquelas capazes de identificar, reter e expandir o que era escasso, ou seja, aquelas que conseguiram atrair mão de obra e capital, transformando-os em vantagem competitiva. Algumas empresas conseguiram e se diferenciaram.  Mas aí o tempo passou e estes recursos deixaram de ser escassos.  Tinha gente disposta a trabalhar, e tinha dinheiro para ser investido na produção.  Ford e sua linha de montagem simbolizavam a eficiência operacional, mas já não demonstravam a eficácia de atuar em um  mercado mais exigente.

Era da Informação

Palavras-Chave: Virtualização, Automação, Serviços, Internet.

O que era escasso?  O Conhecimento.

Descobriram que os funcionários não eram só um par de mãos, eles tinham cérebro.  Tiveram de aprender a buscar conhecimento no mar de informação que tinham. Confiavam em tudo o que aparecia na internet, como no passado seus pais confiavam nas marcas que apareciam nas propagandas de TV. Aos poucos, deixaram a ingenuidade de lado e aprenderam a ser bons bibliotecários: conseguiam localizar dados em fontes confiáveis e com relativa agilidade.  Mas estavam ainda aprendendo a adquirir o tal Conhecimento, e a se relacionar com as pessoas virtualmente.  Para as empresas, o Conhecimento já não era escasso, pois já era possível acessar softwares e fornecedores de serviços como Inteligência de mercado, dados geopolíticos e tantas informações, proporcionando ganhos. O conhecimento já não era escasso. Com a chegada dos smartfones, entramos em uma nova era.

Era da Sociedade em Rede

Palavras-Chave:  Mobilidade, Compartilhamento, Colaboração, Rede, Sustentabilidade.

O que é escasso?  O foco, a atenção, o tempo e a disposição para se relacionar de forma presencial.

O fácil acesso à informação e ao conhecimento (inteligência de mercado) não nos deu necessariamente Sabedoria para tomar decisões acertadas. O excesso de informações nos causou déficit de atenção, falta de foco e baixa produtividade. Já somos bons bibliotecários, porque localizamos boas fontes rapidamente, mas nos distanciamos do ser acadêmico, do pesquisador – aquele que, sozinho, pensa, interpreta, relaciona um dado com tudo o que ele já aprendeu e viveu e cria algo novo.

 

É importante nos lembrarmos que o fato de ser escasso não quer dizer que não exista.  Mas vai se diferenciar o profissional ou a empresa que não se dispersar neste mar de letras, números, imagens e vídeos. Aquele que souber interpretar o que vê – também na vida real -  e criar algo relevante para os anseios da sociedade atual.


Fonte: Rosangela Souza para Portal Catho


Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso.