Artigos de Gestão

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20
MAR
14

A linha tênue entre admiração e inveja no trabalho



 


Se você está no começo da carreira ou ainda não chegou lá, uma das ações interessantes é escolher duas ou três pessoas para serem seu modelo a seguir. Profissionais que tenham características importantes que facilitam o sucesso desejado, que conquistaram o que você valoriza. O exercício é espelhar-se nos pontos positivos desses profissionais, observá-los e aprender com eles o que eles têm de melhor.
 
Parece uma ação muito simples, não é? Porém, a busca por resultados rápidos, que impera na sociedade moderna, gera a preguiça de fazer o que precisa ser feito para chegar lá. Essa postura não se encaixa na trajetória da maioria desses profissionais bem-sucedidos, uma vez que as conquistas significativas não são alcançadas com o estalar dos dedos.
 
Além disso, existe outro complicador. Muitas pessoas não conseguem usar essa técnica para o desenvolvimento profissional pela admiração por pessoas experientes e competentes, porque há uma linha tênue entre admiração e inveja, principalmente para os que apresentam limitações.
 
Segundo o dicionário, admiração é a tendência emocional para demonstrar respeito, estima, consideração ou simpatia por algo ou alguém. Inveja vem do latim invidere que significa não ver. É o sentimento de cobiça à vista da felicidade, da superioridade de outra pessoa. Sensação ou vontade de possuir o que pertence a outra pessoa.
 
Infelizmente, é possível ver, nas mais diversas empresas, de todos os tamanhos, profissionais sem ética, que passam por cima de outras pessoas em nome de um objetivo. Profissionais que se mostram amigos e, por trás, agem com má fé para encobrir suas incompetências. Diz uma fábula que uma serpente voraz tentava abocanhar um indefeso vagalume. Depois de três dias, eles conversam:
 
- Posso lhe fazer três perguntas?
- Sim, eu vou devorá-lo de qualquer maneira.
- Serpente, pertenço a sua cadeia alimentar?
- Não.
- Eu lhe fiz algum mal?
- Não.
- Então, por que você quer me comer?
- Porque não suporto ver você brilhar.
 
Há dois fatos incontestáveis: alguns profissionais têm mais brilho que outros e não há como eliminar a inveja do ambiente corporativo, ela acompanha os seres humanos em qualquer contexto desde sempre. Diante disso, duas conclusões: avalie criteriosamente quem você escolhe para ser seu modelo, porque as pessoas são falíveis, e cuide das suas emoções, porque é possível esmagar uma rosa ao apertá-la com carinho demais. É carinho, mas em excesso, causa danos, às vezes, irreparáveis.
 
Fonte: Portal Vagas Profissões e Ligia Crispino

Ligia Crispino
 é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e do ProfCerto. Formada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, possui cursos em Marketing de Serviços pela FGV; Gestão de Pessoas pelo Ibmec; Branding e Inteligência Competitiva, ambos pela ESPM; Business English em Boston. É analista quântica e dá palestras sobre comunicação, ensino, gestão de negócios e pessoas. Ligia escreve mensalmente para o VAGAS Profissões.

 

19
MAR
14

Intercâmbio: qual a melhor hora?


Companhia de Idiomas estreia no ClickCarreira com dicas para planejar bem a sua viagem internacional


 


Como atuo no segmento de idiomas para o mercado corporativo há mais de duas décadas, as pessoas costumam me fazer perguntas sobre viagens de intercâmbio.  Elas acreditam que posso dar um parecer mais isento sobre este assunto, uma vez que não tenho uma agência. Na vida pessoal, também tenho a experiência com uma filha no High School dos EUA e um sobrinho indo para a Austrália estudar inglês e trabalhar.  Geralmente recebo perguntas como:  “Qual o melhor momento para realizar um intercâmbio?”,   “Qual a idade ideal?”, “Qual o melhor país? “Que tipo de programa é mais vantajoso?” e “Como é o High School?”. 
Cada uma dessas perguntas daria um artigo e você até pode fazê-las nas agências. O problema é que nem sempre a agência consegue mapear as necessidades e expectativas das famílias ou do intercambista - como qualquer loja, eles dão orientações, mas precisam vender um programa para você, preferencialmente naquela primeira visita. E você, nem sempre tem instrumentos para fazer uma boa escolha. Resultado: pode desperdiçar parte da experiência por não comprar o programa certo, ou no momento certo. 
Há muitos tipos de viagens de intercâmbio. High School (Ensino Médio) particular,  High School público, curso de inglês (ou outro idioma), graduação (ou pós, mestrado etc), cursos específicos (gastronomia, fotografia etc) , curso e trabalho; e tantos outros. Neste primeiro artigo, quero deixar algumas perguntas para o intercambista e sua família responderem e decidirem se é o momento certo para a viagem internacional. Vamos lá! 
 
Motivação – o jovem precisa querer muito ir, especialmente se estivermos falando de um intercâmbio de seis ou 12 meses.  Este não pode ser um projeto só dos pais, tem de ser do filho. Até se for um programa de um mês é importante que o jovem compreenda que precisa aproveitar ao máximo. 
 
Condições Financeiras – uma coisa é certa, a família sempre gastará mais que o previsto. Então, é importante fazer um programa que não seja muito apertado para o orçamento familiar.  Fazer uma reserva para pagar o programa à vista e depois, mensalmente, apenas manter o intercambista nas despesas pessoais, é o ideal.
 
Preparo psicológico da família e do jovem – Os pais e o filho estão preparados para viverem distantes? Já há uma relação de confiança? Ainda é necessário um controle dos pais para tarefas, estudo, horários? O filho já sabe lidar com dinheiro, controla bem sua mesada, não gasta tudo na primeira semana? O filho sabe cuidar de si mesmo e tem tarefas domésticas?  Isso será fundamental no exterior e ele não pode deixar para  aprender lá. 
 
Se você sente que ainda é necessário um tempo para este preparo, então não antecipe a viagem. Aproveite para começar este treino e também para guardar dinheiro para o projeto. O jovem tem de ir sabendo falar inglês. Parece um paradoxo, mas só assim ele realmente irá aproveitar a experiência, falando com todos, criando elos com a família, fazendo amizades para a vida inteira. Se não tiver comunicação eficiente, vai ficar amigo do primeiro brasileiro fluente que encontrar e não vai praticar tanto o idioma.  
 
Isso acontece com frequência.  Também poderá ficar tímido (por não saber se expressar bem) e preferirá ficar no quarto, ao invés de, por exemplo, interagir ou participar de eventos promovidos pela escola.  É claro que depende da personalidade do intercambista, mas quanto mais fluência ele já tiver, mais vai aproveitar este momento para aperfeiçoamento do idioma e para o mais importante: conhecer, respeitar e criar laços com pessoas muito diferentes de nós.

Fonte: ClickCarreira e Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.
Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso.


18
MAR
14

O elogio


Joaquim Nabuco já dizia: “A borboleta nos acha pesados, o pavão mal vestidos, o rouxinol considera-nos roucos e a águia tem para ela que somos uns rastejantes.”


 


Então, parece que tudo é uma questão de referência, ou do nosso olhar.  Ouvi recentemente que um dos “órgãos” mais doentes no nosso corpo é o nosso olhar. Ok, não é um órgão, mas é interessante pensar que precisamos curar permanentemente nosso olhar, para enxergar e valorizar o que é bom (e até o bem contido no mal). E também enxergar o que não nos faz felizes, para ter coragem de mudar.  Como a rotina nos cega, nos deixa apáticos e um tanto anestesiados, o trabalho é árduo e diário.
 

Dick Costolo, CEO do Twitter, diz que fora do Vale do Silício os empreendedores que “não dão certo” são rotulados de fracassados.  No Vale, ele diz que não há o estigma da falha, pois é preciso permitir que empreendedores errem bastante, para um dia acertarem em cheio.  O medo de errar faz escolhas onde o risco é menor, e isso é um passo para a mediocridade.
 

E nas nossas empresas?  Sabemos que somos mesmo uma sociedade obcecada por amar e ser amada, que colocamos óculos cinza e cor de rosa conforme nossas crenças e conveniências, e que temos de neutralizar nosso medo para não nos tornar medíocres.   Mas o que o elogio tem a ver com isso?
 

Minha pergunta de hoje é : “quando é que optamos por não elogiar alguém, mesmo sabendo que aquela pessoa merece reconhecimento no momento?”
 

Listei hoje quatro razões, e provavelmente há dezenas.
 

Quando temos alguma mágoa – se ele me magoou, quero que ele sofra. Criamos o ciclo vicioso e só o quebramos com o tão necessário perdão. Pouco  falamos de perdão nas relações profissionais, mas é ali, na empresa, que temos mais chances de exercitá-lo, impedindo que comportamentos nocivos (e sutis) se instalem por conta das pequenas mágoas diárias.  Você é capaz de ver algo bom,  e ainda dizer o que viu, para alguém que magoou você?   Se não for, está na hora de exercitar, senão você pode até terminar sua carreira no topo, se for genial como Steve Jobs, mas terminará sozinho.
 

Quando temos inveja – sabe quando notamos que alguém é melhor que nós em alguma coisa e isso nos incomoda? Aí tentamos diminuir o brilho da pessoa com comentários sutilmente negativos, para nos sentirmos um pouco melhor? Você pode dizer que nunca faz isso, mas pense direito.  Há mães que, ao perceberem que o marido ama demais a filhinha, tem um certo prazer em relatar o que ela aprontou no dia, só para que ele saiba que ela não é assim tão perfeita.  Há funcionários que capricham no julgamento daqueles considerados talentos na empresa. Irmãos que competem estão sempre procurando, encontrando e divulgando as falhas do outro.  Faz sentido para você?  Inveja não tem a ver apenas com bens materiais – você pode querer ser tão amado por todos quanto seu colega. E como não consegue…
 

Quando não queremos ser “puxa sacos” – não sei porque temos este hábito de não elogiar professores, chefes, pais. A luta de classes ainda faz parte de nosso padrão mental?  Ainda nos vemos como representantes da classe trabalhadora, humilhada e marginalizada? Ainda não faz sentido elogiar a elite, a classe dominante, mesmo que existam pessoas do bem, competentes e admiráveis lá?   Este preconceito pode destruir uma carreira.  Se quer ser um excelente profissional, não se veja como sócio do clube de golfe, nem como mano do gueto. E não enxergue as pessoas com estes rótulos. Crie laços com pessoas – de faxineiros a presidentes. Elogie quem merece elogio, sem medo de parecer manipulador ou puxa saco, e sem ser.
 

Quando achamos que o outro pode querer mais de nós - às vezes não elogiamos um assistente, por exemplo, porque  isso pode “valorizar demais o passe dele”.  Ele pode solicitar uma promoção, um aumento de salário ou até sair da nossa empresa. O problema é que a falta de reconhecimento gera distanciamento, desmotivação e aí… a saída é mais provável ainda.

E quando somos os líderes e elogiamos, reconhecemos, celebramos as pequenas vitórias, mas percebemos que a pessoa continua desmotivada no trabalho, reclamando de tudo ou meio distante e nada apaixonada?
 

Nunca é demais tentar observar, conversar, perguntar, e descobrir como tocar aquela pessoa, como fazer com que ela veja sentido no trabalho que desenvolve e se sinta feliz por estar ali.
 

Se não der certo, lembre-se da pesquisa que diz que felicidade é 50% genética (talvez o olhar herdado dos pais) , 10% proveniente de componentes externos (dinheiro, carro novo, status, amigos, empresa, etc) e 40% é mesmo sua vontade de ser feliz, por causa e apesar das coisas da vida.



Fonte: O elogio | Portal Carreira & Sucesso e Rosangela Souza.


Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.
Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso.