Artigos de Gestão

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24
FEV
14

Três pilares e cinco livros



 

Todos nós já começamos e paramos algum curso na vida. Não só porque descobrimos que o curso não seria útil, mas porque, embora soubéssemos de sua importância, resolvemos desistir porque… porque… nem lembramos mais da razão.  Provavelmente colocamos a culpa no trânsito, na falta de tempo, no professor, em qualquer coisa.
Também conhecemos pessoas  perseverantes, que não desistem facilmente. Mas isso também não significa que vão se tornar brilhantes naquilo que estudam com tanto esforço.

O que acontece nos dois casos?

Pesquiso sobre propulsores do aprendizado há mais de duas décadas e destaco três pilares de sucesso – para que este aprendizado seja eficaz. E o que é interessante é que estes pilares são, também, os propulsores de bons resultados na vida profissional.

1) Seu talento natural

Já escrevi sobre talento nesta coluna, este é um tema fascinante.   Tem gente que nasceu para tocar piano, estuda menos que outros alunos, e tem um desempenho fabuloso,  enquanto outros que estudam mais conseguem um desempenho apenas bom. Se você tem este talento natural para idiomas, talvez  até aprenda sozinho.   Então, uma forma de acelerar aprendizados é você saber quais são seus talentos, e potencializá-los.  Se nem pensa nisso e sai escolhendo cursos (ou carreiras), com muito esforço, pode sair do conceito ruim e passar a ser razoável.  Quando você explora seus pontos fortes, já sai na frente, com menos esforço.  Ouvir a sua voz interior e adequar seus talentos à sua carreira é propulsor de sucesso.   O Stephen Covey fala um pouco disso no livro “O 8º Hábito”.  Ele diz para você não deixar sua vida repleta de pontos a desenvolver e coisas que odeia fazer.  Aconselha a fazer escolhas ouvindo sua voz interior, seus talentos.  E se você não os conhece, pergunte para sua mãe o que você fazia bem ou gostava de fazer quando criança e adolescente.  A criança sabe, mas a família e a sociedade se encarregam de fazê-la esquecer.
Sabia que o poder de um governante na Idade Média era reconhecido também por sua capacidade de identificar talentos em artistas? E Santa Tereza D’Ávila tem uma oração em que pede a Deus a mesma coisa: a capacidade de descobrir talentos nos outros, e contar para eles que os descobriu.

2) Seu hábito e disciplina

Se você tem talento natural para algo, quanto mais você se expõe ao aprendizado, notará que é bom naquilo, as pessoas o elogiarão, aí você ficará motivado, praticará por mais horas todos os dias, porque percebeu que é bom e porque é elogiado, e a prática também ajudará você a se tornar genial.   Tem um livro que estuda isso, o  Outliers, do Malcolm Gladwell . Ele diz que 10.000 horas de prática é um número mágico que faz muitos de nós nos tornarmos excelentes.   Ou geniais, se você unir a um talento natural.
A questão é: se você não gosta do que está aprendendo, se percebe que não faz bem, você desiste antes da 100ª hora – algumas pessoas antes da 10ª hora, dependendo do nível de tolerância a coisas que desagradam.
Uma boa maneira de se tornar mais disciplinado é justamente expandir o nível de tolerância. Sabe aquela pessoa que só quer prazer? Se tem de estudar para um teste importante, ela empurra com a barriga e estuda na véspera, porque não gosta.  Se tem de se exercitar, ela cria todo tipo de justificativa, porque não gosta.  Tornar-se disciplinado significa ser capaz de realizar coisas que você não gosta muito, mas que entende que precisa.    Afinal, nem tudo na vida pode ser escolhido com base no  talento natural e prazer.   O Poder do Hábito, de Charles Duhigg, lida muito bem com este e outros temas relacionados à disciplina e hábitos.
Lembre-se de que o conjunto de hábitos forma o seu caráter, que molda o seu destino.

3) Sua emoção e sua personalidade

Quer aprender um idioma, sair falando com desenvoltura, mas é perfeccionista e trava? Quer ser palestrante, mas é super tímido? Costuma sair gritando quando algo o desagrada, mas quer ser líder?  Vamos lá, recapitulando os dois primeiros pilares:  primeiro, entenda como você funciona.  Depois, tente na vida tudo o que potencializa seus pontos fortes.  E compreenda suas limitações, para que, quando tiver de fazer algo que explore um ponto fraco, você tenha cuidado extra. Aí, procure ajuda para que o tormento aos poucos se torne suportável e, quem sabe, com o tempo levemente prazeroso. Vale procurar um método ou professor que se encaixa com seu jeito de aprender, um curso de oratória para fazer uma apresentação razoável e menos sofrida, ou uma terapia para manter algumas pessoas amando você ao longo da vida. Mesmo sabendo que o caminho é longo, quando estamos falando de emoção, todo esforço vale a pena, porque possivelmente você é isso aí em outros contextos,  profissionais e pessoais. Se quiser mudar, comece agora. E mantenha a disciplina, pois quase nunca é agradável remexer nas pequenas doenças da alma. Garanto que a cura é incrivelmente prazerosa. Dois livros importantes:   Inteligência Emocional, de Daniel Goleman; e Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman. O filósofo e escritor Luis Felipe Pondé fala uma frase que se aplica perfeitamente ao que sinto sobre os livros que citei:  “não encontrei muitas respostas, mas perguntas que me encantam.”
Espero que a reflexão sobre os três pilares de aprendizado e carreira, e a leitura de alguns dos cinco livros mencionados, inspirem a todos a descobrirem seus próprios talentos, a fazerem escolhas felizes –  e que algumas se tornem hábitos que conduzam a uma vida boa.


Fonte: Portal Carreira & Sucesso da Catho e Rosangela Souza

Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.
Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso.

04
FEV
14

Quer aprender inglês? Veja abaixo cinco dicas do que você NÃO deve fazer...


Ao procurar cursos de inglês, os consumidores podem fazer escolhas equivocadas. Confira as dicas de Rosangela Souza, sócia-diretora da Companhia de Idiomas, na hora de optar pelo melhor curso ou escola de inglês.


 



1) Não escolha a escola mais barata. Curso de inglês não é como uma camiseta ou cafezinho que você compra porque está barato e se não for de boa qualidade, paciência. Muitas vezes o contrato que assinou prende você por anos, e se o curso não for bom, sua escolha será entre sair e perder dinheiro, ou ficar e não aprender nada. O que acha mais inteligente: economizar para fazer um bom curso e resolver o assunto em poucos anos ou gastar pouco, terminar um curso, e depois o mercado fazer você perceber que não é fluente? O único teste de inglês que conta na sua vida é a entrevista de emprego que seu futuro chefe americano, daquela empresa dos sonhos, fará com você por Skype. É para uma situação assim que você precisa se capacitar, e não para tirar nota na prova final e ganhar um certificado de Advanced. 

2) Não escolha a escola mais próxima da sua casa, necessariamente. Mais importante que a conveniência, é a segurança de obter o resultado esperado, que é a fluência. Então, é melhor rastrear todas as escolas de seu trajeto casa/escola/trabalho. Pode ser que valha mais a pena estudar perto do trabalho, aproveitando o período de pico de trânsito, por exemplo. Ou optar por uma escola um pouco mais longe, fazer o curso aos sábados, mas ter a certeza de que ficará menos tempo lá e obterá melhores resultados. O ideal sempre é unir qualidade à conveniência. Uma escola que contrata e acompanha professores particulares que vão até você pode ser uma excelente opção, se você puder pagar por isso. 

3) Não confie cegamente na indicação do seu vizinho. Método de ensino é algo pessoal. Seu amigo pode se adaptar muito bem a um método mais visual, por exemplo. E você não, pois seu jeito de aprender é muito diferente do jeito dele. Uma escola pode dar muito certo para um aluno, mas não necessariamente para todos. Antes de fazer sua escolha, pense em como você aprenderia melhor: gosta de música? de gramática? jogos? Depois, faça uma lista de perguntas para a hora das visitas às escolas. Visite pelo menos seis, e faça perguntas. Instalações e número de salas são indicadores irrelevantes. Qualidade dos professores e método alinhado com a forma com que você aprende são fundamentais. 

4) Não acredite em fórmulas mágicas. Você já viveu bastante para saber que não aprende a dirigir em quatro horas, lendo o livrinho do autoescola. Que não emagrece de forma saudável em uma semana, tomando remédio. E que não aprende inglês em poucas semanas. Há coisas que requerem tempo e se você subverter a ordem, pode pagar um alto preço. Na dúvida sobre a capacidade de cumprimento da promessa, consulte sites de reclamações de consumidores, como o ReclameAqui. E tenha bom senso. Aprendizado depende 50% do aluno e 50% da escola (professor + método). Se não tiver vontade ou tempo disponível para fazer a sua parte, não se engane. Não comece!

5) Não ache que é bom só porque é famoso. Sabemos disso, mas a fama nos causa uma admiração, e começamos a achar que se é famoso é bom. Vivemos em um país cujo consumo e publicidade são voltados geralmente para as massas: há cantores, músicas, programas de TV, lojas de roupas, redes de restaurantes, todos muito famosos e não exatamente de qualidade. Uma marca pode se tornar famosa simplesmente porque pertence a um grande grupo e porque tem grandes investidores cuja estratégia é investir em propaganda para obtenção de lucro imediato. Não há nada de errado nisso, mas entenda que uma empresa não precisa ter qualidade para ser famosa ou existir. Alguns investidores não buscam a perenidade de um negócio - eles querem realizar lucro imediato, e quando os consumidores começarem a reclamar demais a ponto de manchar a marca, a mesma é descontinuada e substituída por outra. Difícil de acreditar que lucro não está relacionado com qualidade, mas no ensino isso é até bem comum, veja as faculdades com marcas famosas e superlotadas. Curso de inglês não é diferente. Fique atento.

Fonte: Empresas S/A e Rosangela Souza

 
Rosangela Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas e ProfCerto.
Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.
Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs. Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso.