Artigos de Gestão

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23
SET
13

Você quer gente inovadora ou inventiva em sua empresa?



 



Em novembro deste ano será lançado o filme Jobs, sobre a vida de Steve Jobs. A cinebiografia mostra o hippie e também o fundador da Apple, junto com seu amigo Steve Wozniak, o Woz.


Segundo Woz, os dois Steve não eram inovadores. Eram inventivos. Quando li isso, imediatamente pensei o mesmo que você deve estar pensando: 
1) Qual a diferença? 
2) Diante do que eles fizeram, o que isso importa?


Inventar é criar do zero. A Apple criou o computador pessoal, o Iphone e o Ipad. Foi inventiva enquanto existia Steve Jobs - que era um gênio, apesar de seus vários defeitos como líder (quem não os tem?).


Inovar é aperfeiçoar algo que já existe. Foi o que a sul coreana Samsung fez?


O que sei é que os resultados de uma empresa não podem depender da genialidade e inventividade dos raros Thomas Edison, Graham Bells ou dos Steves. O Woz saiu da Apple porque, segundo ele, não tinha vocação para ser executivo bilionário. Achou complicada esta coisa de ética pessoal ser diferente da ética profissional quando você se torna um alto executivo. Preferiu continuar sendo inventor. Saiu e criou o controle remoto universal e outras coisinhas, que o deixaram milionário. Está feliz. Isso mostra que o gênio não anda necessariamente junto com a manada (por isso é genial?) , é imprevisível e pode, a qualquer momento, sair da sua empresa por razões incompreensíveis para nós, pobres normais. Se você tem um gênio aí e ele é útil, segure-o, mas ao mesmo tempo, já descubra outros, porque este pode sair amanhã.


Mas se não tem um gênio aí ou você já aprendeu que não dá para depender só dele, terá de desenvolver processos de ideação que possibilitem a inventividade. E não adianta colocar os profissionais de uma área em uma sala e pedir ideias. Um livro que li recentemente chamado Inovadores em Ação, do William Taylor, diz que a maioria dos que trabalham em um mesmo setor desenvolve uma espécie de cegueira: eles prestam atenção às mesmas coisas, não prestam atenção às mesmas coisas. Se sua empresa precisa de inventividade, ou seja, jogar a caixa fora e pensar sem nenhum tipo de censura ou miopia, tente o crowdsourcing.


Se você quer inovação e não exatamente inventividade, também dá para usar o crowdsourcing, mas é aconselhável que a cultura da empresa seja analisada também: há espaço para feedback entre os pares? Os profissionais são encorajados a contribuir, criticar, elogiar, aperfeiçoar processos e pessoas - tudo com tranquilidade e assertividade? Já superou aquela fase em que as pessoas dizem: "não se meta no meu trabalho"? Os líderes realmente ouvem liderados? Ou ainda não? Ou fingem que ouvem, anotam e fingem que vão fazer algo, mas só fazem o que querem? Se tudo isso faz parte do passado da sua empresa, então já dá para promover a inovação. Um local cheio de gente disposta a olhar para dentro e para fora, para cima e para baixo, analisando o mercado, os concorrentes, os produtos lançados no mesmo segmento ou em segmentos totalmente diferentes, comparando tudo o que veem por aí ao que se tem na empresa. Pessoas propondo mudanças, melhorias, inovação como parte do trabalho diário.

 

Wozniak diz que ainda não vê um espírito inovador no Brasil. O que ele sabe sobre nós para esta conclusão eu não sei. O que vejo é um povo inventivo e inovador, que se vira para trabalhar em condições inóspitas, enquanto vê milhões desviados todos os dias pelos péssimos políticos que elegemos. Mas também vejo um povo que ainda supervaloriza o que é importado, que paga caro porque a marca é estrangeira, que nem sempre se esforça para aperfeiçoar o que já está pronto, e que se acomoda muitas vezes com o que é mais rápido, mais fácil, e o que dá mais sensação de poder e status. Talvez muitos tenham sim espírito inovador e inventivo, mas o matam com o passar dos anos, se enquadrando ao status quo, quando são valorizados pela sociedade pelas conquistas de sempre. Fica difícil arriscar com o novo quando se tem tanto a perder, não é?

 

O desafio dos gestores de pessoas do futuro não será mais enquadrar as pessoas, engessando-as em regras e procedimentos, mas ressuscitar este espírito livre em seus colaboradores, para que sejamos um país de empresas e pessoas inovadoras e inventivas. Aí teremos diferenciais perenes e não seremos só a "bola da vez" do mundo ou o destaque nos BRICS por 365 dias, como fomos há pouco tempo e deixamos de ser tão rapidinho.


Fonte: Rosangela Souza e RH.com.br
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Rosangela Souza  é fundadora  e sócia-diretora das empresas Companhia de Idiomas e ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.  Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs.  Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso. 
 

12
SET
13

Está usando suas raízes ou asas?



 

 

Estava em Dallas no mês passado e resolvi passar uma semana visitando os ótimos museus da cidade. Um deles foi o Perot Museum of Nature and Science, cuja proposta é o aprendizado através do prazer da descoberta e diversão, como tem de ser qualquer aprendizado.   Muita coisa me chamou a atenção no museu, mas hoje quero destacar com você um único aspecto e o que ele me trouxe de reflexão sobre carreiras. Vamos lá?

Em todas as instalações do museu (Energia, Vida, Pássaros, Engenharia, Arqueologia etc)  havia vídeos de profissionais contando sobre sua escolha de carreira.  Posso dizer que 100% dos profissionais contaram que, quando crianças, eram apaixonados por sapos, pássaros, pedras, lua, água ou qualquer outro elemento que hoje faz parte de suas vidas profissionais.   Eles também tiveram a chance de explorar várias vezes suas paixões naturais quando crianças, transformando-as em talentos naturais, para o resto da vida.

Esta experiência no museu Perot me mostra o que temos discutido nesta coluna: o quanto o que você escolhe como carreira precisa ter a ver com suas paixões de infância, que, se tiverem sido praticadas livremente, se tornaram seus talentos naturais.  Estes, quando descobertos, devem nortear suas escolhas profissionais. Afinal, é o que você adora fazer e sabe fazer bem,  como é que podem ser preteridos?

Mas o que geralmente acontece?   A criança tem uma paixão natural, que não é percebida ou explorada pelos pais, por diversas razões.   Os pais da classe média enchem esta criança de compromissos que não estão alinhados, necessariamente, a estas paixões naturais.   Ou a colocam  quietinha em frente à TV ou computador depois da escola, para não dar trabalho para a empregada ou avó.  Em alguns anos este jovem tem de escolher sua profissão.  Na pressa e mal orientado, faz a escolha olhando só para fora:  faculdade próxima ao metrô, mensalidade da faculdade, tio que se deu bem em uma área, profissão que o pai não conseguiu ser, profissão do pai, profissão que dá status, mercado, salários…  Todos componentes externos.  Resultado?  Muitos já começaram a terceira tentativa, não gostam de nada. Outros até se formam, mas não trabalham na área ou se tornam profissionais medianos.

Faltou algo que só se encontra dentro de si mesmo. Se você está naquela fase  em que sente que escolheu errado, mas nem sabe por onde recomeçar, tem de buscar de dentro pra fora, comece lá na sua infância e analise seus valores, talentos e oportunidades.

Mas voltando ao museu…

Uma das entrevistas era com um piloto de helicóptero que leva os paleontologistas para o campo de pesquisa.  Ele escolheu esta profissão porque não conseguiu estudar  Paleontologia, e essa foi a forma que encontrou de estar perto de sua paixão de criança.  Faz isso com enorme prazer e está sempre pronto para ajudar com algo além de levar e trazer pesquisadores.  Vibra com cada descoberta. Carrega cada fóssil com o maior cuidado, pois sabe a importância daquilo.   Interessante, porque ele não disse que era apaixonado por voar ou por helicópteros, mas pelos fósseis, pela causa.    Mais uma lição de liderança aprendida:  junte pessoas que amam a causa, senão eles vão reclamar que o helicóptero é apertado, que está chovendo, que tem de carregar ossos velhos… Quem não ama a causa sempre olhará para o lado ruim de tudo, e tudo tem.

Neste final de semana vi um ótimo filme, o Frost/Nixon.   Não quero mudar de assunto no fim do artigo, analisando o governo do Nixon e seu Watergate, mas ele diz uma frase no final do filme, que corrobora o que estamos refletindo hoje:

“Eu não deveria ter escolhido uma vida profissional que dependesse de ser amado pelas pessoas para ter sucesso, pois este nunca foi o meu forte. Deveria ter escolhido uma vida que dependesse do pensamento profundo, do debate, da disciplina intelectual.” Foi aí que ele se perdeu.

E você?  Está trabalhando exatamente naquilo para o qual sente que nasceu?  Pelo menos já conseguiu relacionar o que faz aos seus talentos naturais ou uma área que você adora pesquisar e conhecer mais e mais?    Ou tudo ainda é “só trabalho, só um meio de ganhar a vida” e o prazer só chega na sexta à noite?

Um dos palestrantes do CONARH 2013 disse que o maior prazer dele é quando chega o domingo à noite, porque a vida começa novamente, na segunda.  Achei meio depressivo e discordo disso aí…   Eu acho muito bom gostar do domingo à noite, porque começarão os desafios, as dores e delícias de um trabalho que instiga e inspira você.  E também é ótimo adorar a sexta à noite, porque poderá fazer suas escolhas sobre como quer curtir as pessoas que ama, como quer descansar, experimentar a liberdade de fazer o que quiser.   Quanto mais você gosta da sexta e do domingo à noite, mais feliz você é, não?

Talvez devamos seguir o antigo ditado indiano:  “Se você quer um futuro glorioso, transforme o presente. Na verdade,  você não tem outra escolha.”

Pense nisso neste mês.  E lembre-se de que nós, humanos, podemos ter raízes e asas ao mesmo tempo. Use-as.

Fonte: Rosangela Souza e Catho.
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Rosangela Souza  é fundadora  e sócia-diretora das empresas Companhia de Idiomas e ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.  Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs.  Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso.