Artigos de Gestão

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31
JUL
13

Empresas buscam competências que nem sempre são ensinadas nas universidades



 



A regra geral é que os alunos não são motivados a fazerem escolhas nas escolas: eles só seguem regras, procedimentos e a grade curricular. Sem praticar o ato de fazer escolhas, sentem-se confusos na hora de decidir o futuro profissional.

Até há informação sobre as profissões, as escolas levam profissionais (só os bem sucedidos) para falar de suas carreiras, mas pouco se trabalha o mais importante: o autoconhecimento.

Na universidade, aqueles que têm talento natural e amam a carreira escolhida são os que minimizam as deficiências do sistema de ensino, pois costumam ser os mais interessados.

O problema está naqueles alunos que estão lá apenas para terem uma graduação. Fazem o mínimo para não “pegar DP”, não exploram o conteúdo, pesquisam só o necessário, se comportam como alunos do ensino fundamental que querem “passar de ano” e esquecem que o objetivo deveria ser formar um excelente médico, engenheiro, administrador, professor.

Todos os anos, milhares de profissionais abaixo da média chegam ao mercado. Vemos isso em todas as áreas.



Formar um profissional significa formar uma pessoa. Além de considerar os talentos naturais e a vocação do indivíduo, é fundamental entender quais deficiências trazidas do ensino fundamental e médio são imprescindíveis para o exercício da profissão escolhida.

Parece óbvio, mas os alunos universitários não investem em minimizar suas deficiências ou potencializar suas forças.

Ninguém fala disso: se você está estudando administração, mas não gosta de lidar com pessoas, terá de desenvolver esta competência durante a faculdade, porque vai administrar pessoas no futuro, não tem como fugir.

Não é só uma questão de tirar nota na prova da disciplina Gestão de Pessoas.


Ao fazer uma contratação, o primeiro passo tem de ser verificar o conhecimento técnico, pois não adianta o candidato passar por todas as outras fases se não souber desempenhar a função com excelência.

Caso seja uma vaga de estagiário, trainee ou aprendiz, não se deve exigir experiência, mas também não se pode deixar de verificar os talentos naturais.

Um candidato pode até nunca ter trabalhado na área financeira, mas ele precisa ser testado em sua inteligência matemática, raciocínio lógico e habilidade com números.

Só que além das competências obrigatórias, há as desejáveis. E o profissional de recrutamento e seleção precisa entender o quanto a empresa poderá abrir mão das competências desejáveis, ou se está disposta a investir na formação de seus colaboradores.


Cada vez mais as exigências do mercado estão sendo ampliadas para alguns setores, e afrouxadas para outros.

É a lei da oferta e demanda. Por exemplo, se não há pedreiros em número suficiente para a construção civil, seria impossível exigir que todos eles tivessem ensino médio completo – esta indústria pararia.

Em uma área com muita oferta de mão de obra – administração, por exemplo, é possível filtrar com mais especificidade competências técnicas e comportamentais.

Quanto mais candidatos interessados na vaga, mais exigente o mercado pode ser. Os empregadores têm observado os estágios realizados durante a universidade, o conhecimento de idiomas, vivência internacional e trabalho voluntário.

Toda experiência diz muito sobre as escolhas que a pessoa está fazendo na vida, no seu tempo livre e sobre seus valores.

Um candidato da classe D que sabe inglês porque fez um curso gratuito e também faz um trabalho voluntário aos finais de semana mostra um pouco de seus objetivos e valores.

Investir na formação do profissional tem de ser uma ação constante e nem sempre requer alto investimento: promover workshops internos, valorizar – financeira ou emocionalmente – aqueles que contribuírem com seus pares, compartilhando conhecimento, são ações simples, aplicáveis a empresa de qualquer porte.

É necessário ter criatividade e vontade de capacitar e motivar o time.



A Companhia de Idiomas, por exemplo, oferece aos colaboradores sessões semanais de yoga e liang gong – um momento em que as pessoas param suas atividades para apenas respirar, meditar, alongar.

Também oferece curso de inglês e português, além de dois workshops diferentes por bimestre: um só para administração, e outro para administração e professores.

“Os workshops que conduzimos com a administração complementam um pouco o que não aprendemos com nossas famílias ou escola: educação financeira, gestão de tempo, comunicação corporativa, dar e receber feedback” , comenta a sócia-diretora, Rosangela Souza.

Investir no time não é antagônico à estratégia de crescimento e lucratividade.

Há estudos conduzidos pela Virginia University-USA que comprovam que o índice de clientes satisfeitos e fiéis em uma empresa está diretamente ligado ao índice de funcionários altamente motivados e preparados, além de vantagens como baixo turnover de talentos, equipe preparada para crescimento e substituições, integração do time, alto padrão de excelência e engajamento.

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Rosangela Souza é fundadora  e sócia-diretora das empresas Companhia de Idiomas e ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.  Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs.  Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso. 





29
JUL
13

Sobre a Thalita e sobre nós



 



Recentemente vi duas entrevistas com a escritora Thalita Rebouças. Já ouviu falar?
É aquela que vendeu mais de um milhão de livros para meninas adolescentes (agora tem para meninos também).

Um dos maiores sucessos editoriais dos últimos tempos.

E as leitoras são as mesmas adolescentes que passam o dia no computador e no celular. Como assim?

Sei que é muito fácil pegar uma pessoa “bem sucedida” e explicar a razão do sucesso.

Podemos contar qualquer história de trás pra frente e sempre fará muito sentido: “fiquei rico porque meu pai bebia e nos abandonou, éramos muito pobres, o que me deu força para virar a mesa e construir meu futuro… hoje minha mãe mora em Paris etc, etc.” ou “fiquei rico porque meu pai era incrível, super trabalhador, não bebia nada, ótimo amigo, me deu todas as oportunidades, morei em vários países e aproveitei tudo para conquistar e multiplicar o que eles conquistaram.”

No final das contas, não tem regra para o sucesso, mas existem pecados mortais que levam você invariavelmente para o insucesso.


Mas voltando à Thalita Rebouças… é interessante como aquela mulher com jeito de menina, que começou do nada e hoje é um estrondo editorial, reúne comportamentos fundamentais para se chegar aonde se quer.

Você já sabe que esta coluna pretende ajudar pessoas a passar pela vida aprendendo com tudo e todos: livros, textos, filmes, músicas, pessoas, fatos…

Ela ajuda a mim também, que aprendo enquanto escrevo e quando converso com vocês nas redes sociais. Por tudo isso, vamos eleger a Thalita nossa personagem do artigo de hoje!


VOCÊ TEM MEDO DE PARECER RIDÍCULO?


A Thalita conta que na primeira Bienal do Livro da qual participou como escritora, todos se aproximavam dela para… perguntar aonde o Ziraldo e o Maurício de Sousa estavam dando autógrafos. Ela respondia, mas foi ficando invocada.

Pensou: “se eu não fizer nada diferente agora, terei desperdiçado esta oportunidade, não vou vender nada e vou justificar com o fato do Ziraldo e o Maurício estarem aqui perto.” Fácil encontrar culpados, difícil é encontrar uma solução.

Ela subiu na cadeira e gritou: “Gente, eu também sou escritora, meu livro está aqui, venham conhecer meu trabalho.” Sim, o público achou graça e se aproximou. Aí ela vendeu.

Hoje quando vai a uma feira de livros, precisa de seguranças, pois há centenas de meninas gritando seu nome. Alguém aí teria a mesma coragem?


TEM PERSISTÊNCIA? MESMO?

Eu nunca sei quando é hora de insistir ou desistir, aí está outra grande questão da vida profissional e pessoal! Na dúvida, a gente insiste mais um pouco.

A Thalita visitou livrarias diariamente, durante três anos, várias horas por dia. Média diária de vendas: 03 livros.

Hoje vende milhares em um único dia. Primeira autora brasileira de sucesso para adolescentes, justamente quando elas estavam totalmente seduzidas pela internet!

Acho que ela deve ter seguido a frase de Walt Disney: “Eu gosto do impossível porque lá a concorrência é menor”. O problema é que não basta ter “só” coragem e persistência…


ESTÁ PREPARADO PARA AS OPORTUNIDADES?

O sucesso pode até vir para quem tem coragem e persistência. Mas só é perene se você se prepara para ele.

A Thalita sempre gostou de ler, desde criança. É apaixonada por Saramago, José de Alencar, Vargas Llosa, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Veríssimo e João Ubaldo. Ela se preparou.

Sim, dá um trabalhão ter sorte e ficar com ela. E tem de se preparar emocionalmente, para não se sabotar e destruir tudo durante ou depois das conquistas. Você sabe que isso acontece.


TEM PRATICADO?

A maioria de nós só consegue praticar alguma coisa quando tem prazer naquilo. Se não há prazer, a gente faz por uma semana, um mês e depois inventa uma justificativa para parar.

E é só a prática que nos faz descobrir talentos ou a falta deles. Thalita escreve muito desde que aprendeu. Lá vem a persistência de novo!


AMPLIA SUA VISÃO DE MUNDO?

Talvez ler autores de estilos e gerações tão diferentes, além de observar a fase mais complicada da vida que é a adolescência, fez a Thalita ser capaz de compreender o universo e falar a mesma língua das meninas.

Não foi porque ela só pensou nisso o tempo todo, foi justamente porque ela diversificou sua formação.

Dizem que o especialista fica meio míope. Ela faz paralelos com as outras gerações, suas crenças e aflições e é isso que a faz compreender seu público leitor.

Passando para nossa vida corporativa, você entende seu target? Sua empresa? Seu chefe? Seus pares? Ou fica no seu mundinho?


TEM UM PRODUTO QUE RESOLVE UM PROBLEMA? QUE TRADUZ O QUE SEU CLIENTE PRECISA?

O pessoal do marketing diz que seu produto tem de ser a solução para alguma necessidade mal resolvida de um grupo de pessoas ou de empresas, que estejam dispostas e possam pagar por ele.

Vemos milhões de adolescentes meio perdidos, e pais mais perdidos ainda, pois não há escola de pais ou de filhos.

Pais trabalham ou se ocupam muito e quase não conseguem ter uma conversa de mais de trinta minutos com seus filhos – por semana. Os livros da Thalita “conversam” com o leitor, de certa forma preenchendo uma lacuna que os novos tempos deixaram. Talvez não resolva o problema, mas o leitor acha que resolve…


SABE FAZER A TRANSIÇÃO PARA NÃO SUMIR?

Thalita não tem medo do desaparecimento do livro físico das livrarias. Mas, ao mesmo tempo, está nas redes sociais, tem blog, e já lança seus e-books. Por via das dúvidas, está nos dois, preparando-se para a transição.


VOCÊ SE ESFORÇA MUITO PARA SE ADEQUAR?

Temos a impressão de que ela escolhe autores para ler por prazer e não pela obrigação de parecer culta.

Ela dá entrevistas com naturalidade, como se estivesse conversando entre amigos. Parece ser o que é, sem colocar nenhuma persona de escritora que concorre à Academia Brasileira de Letras.

E, como diz Paulo Leminski, “isso de tentar ser exatamente quem a gente é ainda vai nos levar além.” Se você sente que tem de anular boa parte do que é para manter sua carreira, tem algo errado aí. Mude de carreira.

Encontre aquela que você pode ser muito do que já é naturalmente, sabendo que alguns ajustes sempre são necessários. Lembra aquela fala no Rei Leão? “Agora você vai se transformar em quem você realmente é”. Por aí.

Bom, Thalita Rebouças não é minha escritora favorita, e seria até estranho se fosse. Mas é mais uma pessoa com a qual podemos aprender um pouco sobre escolhas, carreira, sucesso e felicidade. E este último tem de ser nosso assunto favorito! Até o próximo mês….


Fonte: Catho e Rosangela Souza.

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Rosangela Souza é fundadora  e sócia-diretora das empresas Companhia de Idiomas e ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.  Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs.  Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso. 

18
JUL
13

Dicas para entrevista em inglês em processos seletivos



 



  • Um erro comum é o candidato acreditar que, falando pouco, estará correndo menos riscos de errar.
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  • Sem conteúdo, o avaliador terá dificuldades de identificar o nível de fluência, ou pior, poderá achar que o candidato não tem conhecimento ou fluência no idioma.
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  • O candidato não deve impor o que quer falar, pois dá a nítida impressão de que decorou ou se preparou para falar sobre aquele assunto, normalmente sua experiência.
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  • Ele deve deixar o avaliador conduzir as perguntas.
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  • Normalmente a avaliação oral de idioma estrangeiro é terceirizada. Desta forma, o avaliador não sabe detalhes do processo e, muito menos, se o candidato tem chances de passar para a próxima etapa.
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  • Portanto, o candidato não deve perguntar como ele foi no teste, se tem chances. Isso demonstra muita ansiedade e insegurança.
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  • E o avaliador, dependendo do volume de candidatos não tem tempo para feedback, mesmo que fosse permitido.
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  • O candidato deve evitar respostas decoradas, ele tem de soar natural, desenvolto, que está presente na conversa. Uma conversa é um processo criativo, uma jornada que leva as pessoas para o mundo dos pensamentos e ideias. Cuidado com os clichês e respostas prontas.
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  • Atenção para os vícios de linguagem, tais como: you know, kind of, then, so, right no inglês.
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  • Uma sugestão interessante é o candidato gravar algumas falas espontâneas, depois ouvir com o objetivo de perceber se tem algum desses vícios de linguagem e também se comete erros de gramática ou pronúncia.
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  • Pode até contratar uma escola de cursos customizados para ajudá-lo a identificar esses erros, se tiver dificuldade de fazê-lo sozinho.
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  • O ideal é tentar reduzir ao máximo os erros e a repetição de palavras, elas soam como muleta e que você não tem muita consciência do seu discurso.
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  • O candidato precisa estar sempre bem informado, inclusive para as avaliações em idioma estrangeiro. O avaliador poderá fazer perguntas sobre fatos recentes a fim de checar seu vocabulário geral.

  • As avaliações orais cobram vocabulário de negócios, para isso é importante que o candidato esteja familiarizado com alguns jargões e expressões.
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  • Em alguns processos, é possível que seja cobrado o vocabulário específico de uma dada área.
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  • Por isso, ler livros de negócios em inglês, sites especializados em notícias do mundo corporativo é recomendado.
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  • É muito comum avaliar candidatos que, mesmo tendo estudado por alguns anos o idioma estrangeiro, se comunicam, basicamente, usando o tempo presente dos verbos.
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  • Não fazem distinção se estão relatando fatos passados ou ações futuras. Isso pode causar ruídos na comunicação. Portanto, estudar os tempos verbais e tentar usá-los corretamente em seu discurso.
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  • Há muitas escolas de idiomas e várias não oferecem a carga horária necessária em sua grade para que os alunos atinjam realmente o nível avançado.
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  • Portanto, nem sempre o nível avançado de um escola é realmente esse nível quando comparado com a grade europeia CERF (Common European Framework of Reference for Languages).
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  • Essa grade é utilizada pelas consultorias de idiomas para definição do nível linguístico dos candidatos em processos seletivos. Se estiver inseguro, faça uma avaliação de proficiência.




 

Lígia Crispino é fundadora e sócia-diretora das empresas  Companhia de Idiomas e ProfCerto.
Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English em Boston, USA.  Possui cursos em Marketing de Serviços pela FGV,  Gestão de Pessoas pelo Ibmec,  Branding e Inteligência Competitiva, ambos pela ESPM. É analista quântica e dá palestras sobre comunicação corporativa, ensino, gestão de negócios e pessoas.