Artigos de Gestão

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18
JUN
13

E aí, tem feito seu pit stop?



 



Há fases na vida em que simplesmente não queremos parar para pensar. Só fazer já parece nos preencher. Pena que preenchemos, preenchemos e vai ficando um vazio!

Na vida pessoal, na vida profissional, corremos o risco de ir só levando, como em uma corrida de Fórmula 1 sem pit stop.

Soltamos um “não dá tempo”, que é a frase mais dita por nós, adultos profissionais, porque ela dá até um certo status: quem ouve entende que somos úteis, ocupadíssimos, importantes, e que estamos sempre correndo para, para .. para quê mesmo?

Será que às vezes falamos que não temos tempo como uma desculpa quando não queremos fazer algo, ou quando estamos paralisados pelo medo de fazer algo? Será?

É fato que muitos de nós estamos realmente sobrecarregados – na vida profissional e pessoal. Mas meu professor da Darden Business School /Virginia University USA, me disse há duas semanas: “Dear student, if you want to be successful AND happy, you just have to rehearse and replay the day, every day.” Tradução: “Querida aluna, se você quer ter sucesso E ser feliz, tem de ensaiar e repassar o dia, todo dia”. Agora complicou… como assim, professor?

Tive de parar tudo para pensar (justo eu, que sou tão produtiva…) , e só então entendi.

Pela manhã, antes de “tudo” começar, desligar os aparelhinhos para só pensar em como será o dia, que tipo de trabalho farei, que opinião tenho sobre os assuntos que serão tratados nas reuniões. É preparar-se todo dia.

Mas eu sou empresária há 22 anos, o dia será só um pouco “mais do mesmo” ! Isso vale principalmente para nós, que já temos opiniões cristalizadas (e muitas vezes ultrapassadas) sobre praticamente tudo.

Há algo para escrever ou ler antes da reunião, para que eu possa tirar o máximo dela, alguma provocação para que as pessoas – e eu – pensemos fora da caixa ou sem caixa alguma? Tem de pensar antes.

Mas não é só planejar as tarefinhas do dia (isso é fundamental também), é olhar para o todo, antes de chegar na empresa, para ver se tem algo ou alguém que precisa receber uma certa atenção no dia.

Pensar se o que você vai fazer tem relevância para a estratégia, ou se está só preenchendo o dia.

Pensar em quem anda meio esquecido ali no cantinho da sala e precisa sentir hoje que você o enxerga na empresa e se importa com ele?

Lembrar daquele cliente com quem não conversa há semanas. Na vida pessoal também: o cliente esquecido pode ser a sua avó, que precisa do seu “oi”, hoje e que, na correria…

E nada como fazer isso fora do ambiente de trabalho, exercitando a tão propagada “visão de helicóptero” sobre a empresa, sobre sua carreira e seu papel , e não a “visão de Fusca” – que é a que temos quando nos sentamos em nossos pontos de trabalho.

Ok, professor, entendi sobre o “rehearsal”, o ensaio, o pensar sobre o todo, antes e diariamente.

Mas e o “replay”? Cresci na igreja católica, que falava de um tal de Exame de Consciência à noite.

No espiritismo, sei que falam de Higienização Mental. O professor fala em replay. Tudo meio parecido, eu acho.

No fundo, é parar no fim do dia em silêncio e pensar. Pensar em como agiu, como reagiu, se mudaria algum comportamento ou palavra.

Sem se torturar, mas localizando a necessidade de pedir desculpas por algo que pode não ter sido bem interpretado, minimizando as pequenas marcas negativas que deixamos nas pessoas, tão comuns na vida corporativa por causa da “correria, pressão e stress”.

Esse replay pode nos ajudar a conviver com as pessoas, neste jogo corporativo insano que escolhemos jogar, com mais delicadeza – e sem abrir mão dos “altos padrões de excelência e metas desafiadoras para resultados brilhantes”.

Cada vez mais concluo que esses resultados e a nossa felicidade só são conquistados se, no final do dia, você pensar um pouco nas pessoas que você deveria ter elogiado e não o fiz por despeito ou inveja, ou nos momentos você se omitiu quando deveria ter falado, só para ficar de bonzinho na situação, ou tantas outras atitudes que escancaram nossas falhas de caráter.



Parar e pensar em algo profundo, ensinado a mim por uma funcionária da Companhia de Idiomas, que tem 25 anos de idade, a ótima Karina Soares: o que move minhas ações, mesmo aquelas aparentemente boas?

Estou sendo movido pelo ego, pela necessidade de auto promoção ou pela vontade genuína de fazer algo relevante na minha empresa e na minha vida? Até coisa boa pode ter uma razão nociva, que só nós sabemos qual é.

São pequenos deslizes diários que, porque não paramos para pensar e tentar mudar, viram hábitos que, porque não paramos para pensar e tentar mudar, viram nossa personalidade que, com o passar do tempo, nos definem e se cristalizam.

É a gente… Ok, estamos sem tempo, mas se não pararmos agora, por que viveremos tantos anos ou nos vangloriaremos das décadas de “experiência profissional”, se estamos só repetindo o que sempre fizemos?

Não vamos ter vinte anos de experiência, teremos um ano repetido vinte vezes.

Compreenderemos nesta parada que quase tudo é uma questão de como se vê. Nas Ilhas Virgens a chuva é chamada de “Liquid Sunshine” (brilho do sol líquido). Gostei.

Um jeito bom de ver as coisas, já que elas têm sempre dois ou três lados. Sem parar para pensar, a gente vai ficando sempre com o lado negativo. Incrível essa força que nos puxa para o chão. Liquid Sunshine é um jeito de viver.

Mas tem o outro lado… sem parar para pensar, também podemos emburrecer e ficar sempre com o tão cômodo e superficial “lado positivo”.

Elegemos Pollyanna como guru, e achamos que tudo está sempre lindo e nada precisa ser mudado – nem a gente.  Aí a vida fica fácil, tranquila, supérflua.

Marina Colasanti diz em seu texto “Eu sei, mas não devia”, que “a gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. “ Sem parar para pensar, a gente pode só se acostumar e achar que merece menos da vida, e que as pessoas ao nosso redor deveriam também se acostumar.

Então, essa paradinha diária para pensar sobre tudo, em silêncio, pode servir também para ver se o preço da escolha está alto demais para a pouca beleza ou nenhum aprendizado.

Se você não está Pollyanna demais só para não tomar coragem de fazer algo relevante da sua vida. Se não está se acostumando demais, para não sofrer.

Se não está revoltado demais, por ter perdido a prática de enxergar o lado bom. Escolhas, renúncias, equilíbrio, felicidade.

A psicanálise nos explica a influência da família, da sociedade e do meio em nós, e sabemos que estão certos.

Mas também sabemos que já estamos grandinhos e simplesmente não podemos continuar culpando ninguém pelos nossos insucessos ou infelicidade.

Já vimos gente com vida pior chegando mais longe ou realmente sendo mais feliz, não é? (não a “felicidadefacebook”, mas aquela verdadeira e inconstante, que nem precisa ser fotografada e postada).

Espera aí… então, podemos localizar as influências, escolher as que queremos para nossa vida, nos reinventar e mudar o rumo?

Ah, podemos – se soubermos parar. Nada fácil, mas nem por isso impossível. Somos o que fazemos do que fizeram de nós.


Fonte: Rosangela Souza e Catho.



Rosangela Souza é fundadora  e sócia-diretora das empresas Companhia de Idiomas e ProfCerto. Graduada em Letras e Tradução/Interpretação pela Unibero, Business English na Philadelphia, USA.  Especialista em Gestão Empresarial com MBA pela FGV e aluna do Pós-MBA da FIA/USP. Desenvolveu projetos acadêmicos sobre segmento de idiomas, planejamento estratégico e indicadores de desempenho para MPMEs.  Colunista do portal da Catho Carreira & Sucesso. 



vida

 

 

06
JUN
13

VIDEO-GAME OU INGLÊS, O QUE VOCÊ PREFERE?



 

            

Novamente a baixa proporção de estudantes universitários que dominam fluentemente um idioma além do Português, chamou a minha atenção em algumas palestras e encontros com estudantes. Embora seja um tema recorrente, acredito que vale dedicar um olhar mais atento novamente.

Principalmente nos cursos de Engenharia e Tecnologia, a proporção segue sendo desastrosamente baixa em nosso país.

Percebo que há três questões fundamentais que geram esta situação entre os estudantes.

A primeira se refere ao nível de conscientização entre os jovens sobre o valor deste conhecimento. Principalmente para aqueles que não estão tão expostos aos ambientes que valorizam o inglês, para exemplificar com o mais comum, que nem sempre é tão comum como imaginamos. A grande diferença nas empresas é que já não se investe tanto em criar esta habilidade nos funcionários, mas sim, busca-se contratar pessoas com esta capacidade.

Um bom exemplo é o processo de contratação nas multinacionais onde já se evita entrevistar candidatos que não possuem esta habilidade. Cruel? Parcial? Discriminatório? Pode ser... Mas o mundo dos negócios já é assim. Muitos das melhores oportunidades para se iniciar uma carreira dependem deste conhecimento. Ou você se conscientiza disso, ou fica fora destas oportunidades.

A outra questão é muito interessante. Pois muitos acham caro e que não tem tempo e recursos para estudar um idioma adicional. Quantas horas seriam necessárias para uma pessoa aprender um idioma? Creio que um nível intermediário poderia ser alcançado com 700 horas a 1.000 horas dedicadas. Especialistas em ensino de idiomas deram-me estas referências.

Como esta demanda de tempo, necessária para se obter uma habilidade crucial, se compara com outras atividades na vida de um jovem de 21 anos? Que tal exemplificar com o tempo médio acumulado por este jovem na atividade de video-game? Segundo pesquisas, um jovem nesta idade já acumulou em média 3.500 horas de video-game!

Este tempo é muito mais do que o necessário para concluir cursos universitários! É possivelmente o dobro do tempo necessário para aprender um idioma importante como o inglês.

E o custo? Para quem tem acesso à Internet, o aprendizado pode ser muito barato e até mesmo sem custo, usando os recursos colocados à disposição na web.

Por que a insistência num tema que para muitos já faz parte do passado? Porque ainda para muitos, faz parte do futuro!

Há uma inversão na sequência de investimentos na formação profissional de muitos jovens. Fazer um MBA, sem ter pelo menos o domínio do inglês, poderá acrescentar poucas oportunidades de desenvolvimento de carreira. Ter um bom inglês, sem ter um MBA, pode acrescentar muito mais oportunidades!

Uma terceira questão essencial é ter acesso diretamente às informações do mundo todo. Muitos textos e muitas informações nunca são traduzidas para o Português, e o acesso a estas informações requer um bom domínio do inglês, pelo menos. O Google Translator está cada dia mais útil, mas ajudará muito pouco numa comunicação com o seu interlocutor.

A minha experiência pessoal é de que o conhecimento de idiomas adicionais foi mais importante para as oportunidades que tive na carreira do que outros conhecimentos. Vale comentar que nunca fui tradutor ou interprete...

Valeria a pena questionarmos por que as universidades não proporcionam este conhecimento complementar aos seus alunos? Mesmo quando programas oficiais de bolsas como "Ciência sem Fronteiras" exigem conhecimento de "Inglês Avançado"? Esta sim, pode parecer uma demanda discriminatória para muitos jovens estudantes...



Fonte: Yoshio Kawakami. Conheça o blog do autor: http://www.yoskaw.blogspot.com.br